quinta-feira, 5 de março de 2020

AMOR e TEMOR



Emmanuel, segundo Clóvis Tavares, é o nobre Espírito responsável por um grande trabalho missionário, sendo o guia espiritual do médium Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Com uma alma profundamente possuída de espírito evangélico, esse guia espiritual tem ditado inúmeras mensagens em forma de amparo espiritual, conforto e esclarecimento a todas as almas aflitas e torturadas, atendendo sempre com inefável doçura as almas necessitadas que o procuram.
Dentre os livros deixados por Emmanuel, sob as mãos abençoadas do médium Chico Xavier encontra-se o livro “Palavras de Vida Eterna”, com elucidativas mensagens evangélicas, as quais pode-se destacar a de número quatro, com o título “Amor e Temor”.
Emmanuel classifica o amor humano de imperfeito amor, porque ainda exige salários de gratidão, ou ainda, isola-se no atendimento particular de carinho, reclamando entendimento.
Ele esclarece que o verdadeiro amor é aquele que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção. É a esse amor que se deve aprender a prestar culto.
Muitas vezes chama-se de amor aquele que procura o gozo próprio no concurso do outro. Esse, segundo o autor, é o amor egoísta disfarçado, aquele que busca a si mesmo no outro e que pode se transformar em temor, quando cheio de exigências e ciúme, crueldade e desespero. Amar assim, ao invés de sentir a alma leve e plena, leva ao despenhadeiro da amargura e da frustração.
O perfeito amor, traçado pelo Pai Celeste, como rota de aprimoramento e evolução das almas, é aquele que entende e ajuda, abençoa e sustenta sempre corações queridos, no afã da luta diária.
O desejo de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros constantemente, num sentimento de amor incompleto é resultante do medo.
Saber amar é desenvolver a abnegação, a ternura, a esperança incansável e o serviço incessante para que o bem vença, sabendo que se é tutelado do amor perfeito, se é amado, e muito, pelo amor equilibrado e perfeito de Jesus, o amor encarnado na Terra.
Há uma força divina erguendo a todos, e triunfa sempre, retirando as almas desgarradas, dos abismos onde se perderam, rumo aos cimos da luz.
Espíritos da envergadura de Emmanuel trazem a esperança à Terra, a certeza da continuidade da vida, da nova chance para os recalcitrantes e a fé no Deus amor perfeito, nas citações de Jesus, em sua história lúcida de amor constante.
Conforme anotado na primeira carta de João (I Jo, 4:18): “o perfeito amor lança fora o temor”. Aprender a amar e não temer a ternura, nem o bem, é o único sentido da vida.
Que as mensagens de Emmanuel trazendo novamente o Evangelho de Jesus seja o esteio para que o amor, semeado no coração de cada ser humano, encarnado ou desencarnado, predomine e o bem vença sempre, nesse mundo, rumo à regeneração.
REFERÊNCIA:
TAVARES, C. Amor e Sabedoria de Emmanuel 5. ed. Araras, S.P: IDE, 1985.
XAVIER, C. (Emmanuel) Palavras de Vida Eterna 40. ed. Uberaba, MG: Comunhão Espírita Cristã, 2017.






segunda-feira, 2 de março de 2020

Um Olhar Sobre a Obsessão



Manoel Philomeno de Miranda, desencarnado em 1942, foi um destacado trabalhador do Movimento Espírita, mormente na Federação Espírita do Estado da Bahia. Trabalhador atuante na área de desobsessão, continuou suas pesquisas nessa área, após a sua desencarnação.
Desde a década de 1970 o Espírito de Miranda tem trazido, sob a psicografia de Divaldo Pereira Franco, também baiano, livros a respeito do tema obsessão e desobsessão para orientação dos interessados em continuar suas pesquisas.
Em seu livro Grilhões Partidos o autor afirma que o homem vem sofrendo de uma alienação obsessiva, padecendo de tormentos íntimos oriundos do fundo da alma. Embora os casos estejam aumentando, a ciência tradicional continua negando a possibilidade de uma interferência espiritual na etiopatogenia de algumas enfermidades mentais.
Segundo o autor, grande quantidade de pessoas classificadas como loucas, são, na verdade, obsedadas expungindo faltas e crimes cometidos no passado. São defraudadores dos dons da vida que retornam jungidos àqueles que infelicitaram, enganaram, abandonaram, mas dos quais não se conseguiram libertar.
“Atados mentalmente aos gravames cometidos, construíram as algemas a que se aprisionam, em vinculação com os que supunham ter destruído”. (FRANCO, 2019, p. 9)
Muito antes de Philomeno de Miranda, Kardec já havia advertido (O Livro dos Médiuns, cap. 23) sobre o assunto, classificando obsessão como o domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas, sendo praticada unicamente por Espíritos inferiores. Esses Espíritos agarram-se àqueles a quem podem aprisionar.
Kardec também apresentou três variedade de obsessão: a simples, a fascinação e a subjugação.
Kardec chamou de obsessão simples aquela em que um Espírito malfazejo se impõe de forma persistente sobre um indivíduo. No caso da obsessão por fascinação o Espírito produz uma ilusão sobre o pensamento do indivíduo, paralisando a sua capacidade de julgamento e expondo-o, muitas vezes, ao ridículo em suas observações. A terceira, a subjugação, paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir contra a sua vontade, fica sob o jugo do obsessor.
As causas da obsessão são muitas, pode ser por vingança, desejo de fazer o mal, ódio ou inveja do bem, aproveitamento da fraqueza moral dos indivíduos dentre outras.
As obsessões só acontecem por causa da inferioridade moral dos habitantes do planeta. A ação maléfica desses Espíritos, segundo Kardec (A Gênese cap. 14) faz parte dos flagelos com que a humanidade se debate neste mundo. É um tipo de expiação a que todos estão sujeitos, já que decorre sempre de uma imperfeição moral.
Suspeitando dessa possibilidade Kardec pergunta na questão 459 de O Livro dos Espíritos: “Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?” A que os Espíritos respondem: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.
Surpreso com a resposta, Kardec questiona ainda (q. 466): Por que permite Deus que Espíritos nos excitem ao mal? E obtém como resposta: “Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a por em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem (...) Desde que sobre ti atuam influências más, é que as atrais, desejando o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejas praticá-lo”.
Os Espíritos explicam, então, que Deus permite o processo obsessivo como prova experimental e cabe a cada um, usando do seu livre-arbítrio repelir sua influência.
Yvonne do Amaral Pereira, desencarnada em 1984, em seu livro Recordações da Mediunidade, destaca o assunto obsessão como um dos mais belos estudos da Doutrina Espírita e sugere que a pesquisa envolvendo obsessões, obsessores e obsidiados, deveria ser uma especialidade entre os Espíritas.
Segundo a autora, assim como existem médicos pediatras, oftalmologistas etc., também deveriam existir Espíritas especializados nos casos de tratamento de obsessões, com dedicação exclusiva a tal particularidade da Doutrina.
No livro citado a médium narra vários casos de obsessões, bem como, o tratamento a eles despendidos. No entanto faz um alerta:
“Tantas são as modalidades, as espécies de obsessão que se nos têm deparado durante o nosso longo tirocínio de Espírita e médium que, certamente, para examiná-las todas, na complexidade das suas manifestações e origens, precisaríamos organizar um compêndio”. (PEREIRA, 2009 p.210).
Em outro livro intitulado Perturbações Espirituais (FRANCO e MIRANDA), em seu primeiro capítulo uma Veneranda Senhora (Espírito Superior) faz um alerta sobre a obsessão coletiva que se instalou na Terra, principalmente sobre os Centros Espíritas sérios e, ao mesmo tempo, chama a atenção dos Espíritas para com o seu comportamento, muito terreno e pouco espiritualizado. Pede oração e muita vigilância, estudo e perseverança no bem.
O oitavo capítulo desse livro inicia-se com a narrativa do autor Philomeno de Miranda sobre as reflexões de Bezerra de Menezes:
“Para onde nos dirigimos sempre defrontamos a beleza da Criação, os sinais de Deus que não estão apenas nos astros, mas em toda parte, seja no minúsculo grão de areia, na florzinha delicada, no inseto leve e quase insignificante, assim como na glória estelar, nas incontáveis galáxias”.
Em todo lugar a divina harmonia mantendo a ordem e o equilíbrio, cabendo a cada um, segundo Bezerra, a necessidade de manter essa harmonia para que a vida se manifeste no planeta, organizando os pensamentos à conduta ético-moral, modificando a psicosfera densa da Terra, que ainda é portadora de miasmas pestilentos, de que se nutrem as multidões infelizes desencarnados que lhe permanecem imantados, propiciando as obsessões complexas.
Relatando uma reunião de desobsessão, o autor apresenta uma informação do obsessor em forma de ameaça:
“Estamos fixados em um programa de lenta extinção da atividade do Consolador que vocês dizem representar. Este é o momento da Ciência e do poder social, econômico (...). Em toda parte, temos interferido para que a mentalidade humana se aproveite dos favores do conhecimento tecnológico para o prazer até a exaustão. Enganados e atormentados pelos desejos infrenes, estimulamos a sociedade fútil à fruição de tudo quanto possa, pouco importando os princípios éticos, morais. Gozar é a nova ordem, porém, gozar hoje, porque amanhã talvez seja tarde demais (grifo nosso).
E não é esse o comportamento da sociedade atual, o hedonismo a qualquer preço? Por isso a importância do estudo desse livro, para mostrar que os obsessores não estão brincando e que não se deve “brincar com a vida”, principalmente os Espíritas, que possuem todo esse conhecimento.
 Ao final do livro o Espírito que se apresentou com o nome de irmão Elvídio faz o seguinte alerta:
“Ontem possuíamos o circo, as feras, o empalamento, as fogueiras, as cruéis técnicas da impiedade impondo-nos abjurar a crença em Jesus (...). Agora, os verdadeiros cristãos enfrentam situações mais desafiadoras, embora não tão dolorosas: as distrações e desvios de conduta tornados estímulos de vida, comodidades e liberação dos costumes em atração mortal para os abismos dos vícios e da criminalidade, promiscuidade moral e ausência de afetividade, solidão e falta de companheirismo saudável”.
“Por outro lado, as interferências espirituais negativas fazem-se muito mais perigosas, em razão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados, em alta intensidade, por causa dos fatores em jogo, mais atraentes para o prazer até a exaustão dos sentidos”.
O autor concita os Espíritas à tarefa de advertir aos incautos que o túmulo não é a porta final da dissolução da vida e, mais ainda, fazer de seus exemplos de dignidade e perseverança nos propósitos elevados a demonstração das próprias informações, que lhes proporcionam bem-estar e alegria nesta época de enfrentamentos evolutivos, sem ressentimentos nem desânimo.
O importante é lembrar sempre que somente a claridade do amor e do perdão conseguem partir os grilhões e libertar os que se encontram presos uns aos outros por processos obsessivos. Amemos, pois, esse é único Caminho, Verdade e Vida: Jesus.
REFERÊNCIA
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos (trad. Guillon Ribeiro) 93. ed. Brasília, DF:FEB, 2013.
___________ O Livro dos Médiuns (trad. Evandro N. Bezerra) 2. ed. Brasília, DF: FEB, 2013a.
___________ A Gênese (trad. Evandro N. Bezerra) 2. ed. Brasília, DF: FEB, 2013b.
FRANCO, DIVALDO P. (Manoel P. Miranda, Espírito) Perturbações Espirituais Salvador, BA: LEAL, 2015.
___________________________________________ Grilhões Partidos 16. ed. Salvador, BA: LEAL, 2019.
PEREIRA, YVONNE A. Recordações da Mediunidade 4. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 209.



terça-feira, 6 de agosto de 2019

CONICE 2019 – A Interpretação Espírita à Luz da Ciência


Allan Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas como entidade científica e não religiosa. Dedicou-se a pesquisas exaustivas e fundou a Revista Espírita para divulgação ampla e sistemática dos resultados dessas pesquisas. Sua coragem serviu de amparo e estímulo aos cientistas que, surpreendidos pela realidade dos fenômenos fizeram os primeiros rasgos na cortina de trevas que cercava as mais imponentes instituições científicas. (Herculano Pires, 2018)
Quando as crenças espíritas estiverem vulgarizadas, quando forem aceitas pelas massas, dar-se-á com elas o que se tem dado com todas as ideias novas que encontraram oposição: os sábios se renderão à evidência. Eles a aceitarão individualmente, pela força das circunstâncias. (A. Kardec – introdução de O Livro dos Espíritos).
Por muitos séculos na história da humanidade, os saberes vigentes eram do domínio ora da Religião, ora da Filosofia, ambas em contraponto à Ciência. Muitos outros séculos se passaram e a cisão inevitável aconteceu. (...) É chegado o momento dos saberes Científico e Espiritual se complementarem para proporcionarem ao ser humano, acima de tudo, o bem-estar espiritual e existencial. (C.E. Accioly Durgante, 2013).
Baseado nas observações acima e dando continuidade à incentivação à pesquisa de temas Espíritas, foi realizado o 6º CONICE – Congresso de Iniciação Científica Espírita em 04/08/2019 no CEFEC – Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade em Itajubá.


Este evento é realizado sob a coordenação das AME’s (Aliança Municipal Espírita) de Santa Rita do Sapucaí e de Itajubá, com o apoio do 23º CRE – Conselho Regional Espírita.
São objetivos do CONICE:
- incentivar o desenvolvimento da vocação para os campos da ciência nos centros espíritas, por meio de participação em projetos de pesquisa;
- possibilitar a divulgação dos trabalhos de pesquisa realizados por frequentadores de estudos em casas espíritas;
- promover a iniciação científica nas casas espíritas como alternativa pedagógica para a obtenção do conhecimento.
Para este 6º CONICE houve uma inovação: além dos artigos de pesquisa, foi aberto espaço para as crianças começarem seu desenvolvimento de pesquisadores, dentro das limitações delas, amparadas pelos evangelizadores das Casas onde frequentam.
Foi oferecida também a oportunidade para os Centros apresentarem um relato de trabalho desenvolvido na Casa ou relato sobre o Estudo Minucioso do Evangelho de Jesus. Pode ser apresentada ainda uma resenha de um livro espírita ou de um poema espírita.
Pretende-se abranger um maior número de pessoas para se tornarem, além de leitoras, também escritoras, produtoras de seu próprio trabalho literário, produtoras de conhecimento.
Foram apresentados os seguintes trabalhos:
A saga do planetinha azul” – narração do livro infantil de Isabel Scoqui pelas crianças evangelizandas do Núcleo Espírita Fraternidade e Amor, juntamente com as evangelizadoras Bruna e Vanessa Emygdio;



“Bingo em: Vida Nova para Zé Mutreta” – resenha de livro infantil por  Pedro Oliveira Urbanavícius do Lar Espírita Mãos de Amor – LEMA;

“Bem-aventurados os misericordiosos” capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiristimo – resenha por Leonardo Oliveira Urbanavícius do Lar Espírita Mãos de Amor – LEMA;
“Eu, poema, Eu poeta e o Autor!” – poema de autoria de Dardier Ruas de Aquino do Lar Espírita Mãos de Amor – LEMA;
“Análise da adequação das Casas Espíritas de Minas Gerais em Relação ao Plano FEB 2018/2022” – artigo apresentado por Vladas Urbanavícius Jr do Lar Espírita Mãos de Amor – LEMA;
“Contribuições de William Denton aos Estudos dos Fenômenos Espíritas” artigo apresentado por Cremildo Martins Freitas do grupo de pesquisa AFE-RIO – Associação Física e Espiritismo da cidade do Rio de Janeiro;
“Sensibilidade Magnética do Perispírito” – artigo apresentado por Carlos Gomes, representando o grupo de pesquisa AFE-Itajubá (grupo parceiro da AFE-RJ).

Ao final das apresentações os expositores puderam responder perguntas do público presente.

Público presente
Expositores
Alessandra (presidente do CEFEC); Edson (presidente AME-Itajubá) e Vladas (presidente do CRE)
A presidente do CEFEC Alessandra Lemos fez a prece final e o evento foi encerrado com a aprovação dos presentes que entendem que o Movimento Espírita precisa resgatar sua parte científica, o que exige pesquisa, determinação e divulgação, conforme Kardec exemplificou.
Os artigos na íntegra podem ser encontrados em www.conice.org.br
REFERÊNCIA
DURGANTE C. E. A. e AGUIAR P. R. D. C. Conectando Ciência, Saúde e Espiritualidade vol. 2 Porto Alegre: Mira Editora, 2013.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos trad. J. Herculano Pires 82. ed. São Paulo: LAKE, 2017.
PIRES, J. Herculano Ciência Espírita e suas implicações terapêuticas 7. ed. São Paulo: PAIDEIA, 2018.






quarta-feira, 17 de julho de 2019

TRABALHO EM EQUIPE



Em o livro Paulo e Estêvão, Emmanuel apresenta em sua introdução a proposta da obra que seria, entre outras, demonstrar que Paulo de Tarso não poderia chegar a bom termo de sua missão, em ação isolada no mundo, ressaltando assim, a importância de um trabalho em equipe.
Segundo o autor a vida de Estêvão e de Paulo estava entrelaçada. Assim, a contribuição de Estêvão e de outras personagens da história confirmam a necessidade e a universalidade da lei de cooperação. O próprio Jesus procurou a companhia de doze auxiliares, a fim de empreender a renovação do mundo.
Emmanuel enfatiza ainda que, sem cooperação, não poderia existir amor; e o amor é a força de Deus, que equilibra o Universo.
Kardec afirma (Livro dos Médiuns, 2013) que o Espiritismo bem compreendido deveria oferecer um laço forte que prenderiam os membros constituintes da sociedade, conhecida hoje como centro espírita.
Em sua concepção, a recíproca benevolência que reina entre todos os integrantes de uma sociedade exclui o constrangimento e o vexame que nascem da suscetibilidade, do orgulho e do egoísmo.
Kardec afirma que esse tipo de sociedade só poderia existir se as pessoas se reunissem com o propósito de se instruírem pelos ensinos dos Espíritos, e não na expectativa de presenciarem fenômenos. Ele sugere, para isso, a formação de pequenos grupos que possam se visitar entre si, permutar ideias e observações, procurando formar o núcleo da grande família espírita.
Emmanuel adverte a cada obreiro da seara espírita, por incumbir-se de tarefa específica, a indagar, de quando em quando, a si mesmo:
O que tenho sido no grupo de trabalho ao qual pertenço? Uma solução ou um agravante? Um companheiro assíduo ou um assistente esporádico? Um amigo compreensível ou um crítico contumaz? Um bálsamo ou um cáustico? Um enfermeiro do bem ou um doente a ser tolerado? Uma planta frutífera ou um parasita destruidor? Uma bênção ou um problema?
Após essas observações, orienta-nos Emmanuel para verificar se estamos simplesmente na Doutrina Espírita ou se a Doutrina Espírita já está claramente em nós?
O autor lamenta ainda que tem encontrado em quase toda parte, grupos formados em nome das interpretações ou dos interesses daqueles que os constituem ou frequentam, sendo difícil encontrar reuniões em nome de Jesus, porque é justamente nessas que os discípulos despem a sua túnica da vaidade humana, para conhecerem a Vontade do Mestre a respeito de suas vidas, consagradas ao Seu Serviço em todos os lugares por onde cruzam os pés.
Manoel Philomeno de Miranda em seu livro Perturbações Espirituais (LEAL, 2015), psicografado por Divaldo Franco alerta sobre o comportamento observado de alguns grupos espíritas, em que a intriga e a infâmia têm sido utilizadas para difamar companheiros, lançando uns contra os outros, desgastando energia e tempo inutilmente.
Adverte, ainda que, embora se pregue a tolerância, esta não tem sido praticada. Por mais que se explique sobre a necessidade do perdão, da gentileza, da caridade no trato com todos, comportam-se armados e muito insensíveis a qualquer palavra de admoestação que interpretam conforme sua doentia situação, de modo a abrir feridas nos sentimentos debilitados.
E continua dizendo que, atormentados pelas paixões servis, transformam os núcleos espíritas, que deveriam ser dedicados ao estudo, à oração, ao recolhimento dos sofredores, a santuário de comunhão com o Mundo Espiritual superior, em clubes de futilidades, de divertimentos, de comentários desairosos, de convívio para o prazer e de lancharia comuns.
O autor alerta também para o fato de que nessa fase de transição planetária, estão reencarnando antigos déspotas e criminosos, genocidas e bárbaros, fanáticos religiosos, odientos e zombeteiros, a fim de que aproveitem a sublime oportunidade de reparação e de crescimento na direção do Bem.
Ele chama a atenção para aqueles que procuram promover contendas e desentendimentos, transformando as Instituições em campos de batalhas destrutivas, sem dar-se conta do prejuízo moral e doutrinário que ocasionam.
Espíritas vaidosos, deixam-se dominar por entidades intelectualizadas, mas de baixo nível moral, que os mistificam, assacando acusações indébitas contra tudo e todos que lhes não compartem as ideias esdrúxulas e extravagantes.
E adverte a todos dizendo que a hora exige atenção e cuidado, ante o número expressivo de lobos disfarçados de ovelhas, com vozes mansas e veneno nas palavras, que aparentam humildade forçada e são possuidores de ira incontrolável.
O autor faz um apelo para que a Instituição Espírita de hoje possa evocar a Casa do Caminho, onde Pedro, Tiago e João viveram os ensinamentos de Jesus e mantiveram a continuação do contato com o Mestre, a fim de que tivessem forças para o testemunho, o sublime holocausto da própria vida.
É chegada a hora de se atender à proposta de Bezerra de Menezes em seu projeto de União e de Unificação. Reunir os Espíritas sérios para o estudo das obras de Allan Kardec e para o trabalho no bem em espírito de equipe e, juntos, falarem a mesma “língua”, utilizando-se dos princípios da Doutrina Espírita.


REFERÊNCIA:
FRANCO, Divaldo. Perturbações Espirituais. (Manoel Philomeno de Miranda). Salvador, BA: LEAL, 2015
KARDEC, A. O livro dos Médiuns trad. Evandro Noleto Bezerra 2.ed. Brasília, DF: FEB, 2013.
RIBEIRO DA SILVA, SAULO C. O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Mateus. Brasília, DF: FEB, 2014.
XAVIER. F. Cândido (Emmanuel) Paulo e Estêvão 45. ed. Brasília, DF: FEB, 2017.




segunda-feira, 8 de julho de 2019

Encontro sobre o passe no NEFA


O Núcleo Espírita Fraternidade e Amor (NEFA) realizou nesse domingo 07/07/19 um encontro cujo o objetivo foi oferecer uma educação continuada sobre o o passe, sempre presente nos Centros Espíritas, recapitulando o que a Doutrina Espírita orienta sobre ele.
Para tanto foi utilizado o material elaborado pela UEM – União Espírita Mineira e que se encontra disponível para download em seu site www.uemmg.org.br em forma de apostila. Trata-se da apostila da Área de Atendimento Espiritual (AAE) onde são encontradas orientações sobre diversos assuntos como:  atendimento fraterno pelo diálogo; atividade da recepção; atendimento espiritual pela irradiação; atendimento espiritual pelo passe, dentre outros.

Foi possível reunir na ocasião cerca de 40 pessoas entre os trabalhadores da Casa e convidados de outros Centros como o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade;  Instituição Espírita Casa de Simão Pedro e Núcleo Espírita Humberto de Campos da cidade de Pedralva.


Num clima de descontração e amizade pode-se reforçar o entendimento sobre o passe, lembrando que toda atividade Espírita exige estudo, vontade, dedicação e persistência.


A orientação da FEB (Federação Espírita Brasileira) quanto da UEM é que todos os trabalhos oferecidos em um Centro Espírita ocorra num clima de simplicidade, humildade e fraternidade, principalmente o passe. Que seja como o fazia Jesus, apenas com a imposição de mãos, mas com muito amor no coração.

Parafraseando  Jesus quando disse “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu ali estarei” (Mt. 18:20), onde estiverem dois ou mais Centros Espíritas reunidos, ali estará a AME em ação. Pois essa é a verdadeira Aliança, na unificação (falando a mesma língua) e na união (juntos e atuantes).



quarta-feira, 1 de maio de 2019

EURÍPEDES BARSANULFO



Como homenagear esse espírita exemplar no dia do seu aniversário? O que se pode falar que já não tenha sido falado, escrito e estudado sobre esse homem que revolucionou Sacramento em Minas gerais?
Talvez para os Espíritas interesse mais a sua conversão ou o seu encontro com o Espiritismo.
Lembrar o episódio ocorrido em 1903 quando o seu tio, Sinhô Mariano em visita à família foi colocado para dormir no mesmo quarto de Eurípedes que, mesmo ainda jovem, possuía uma cultura filosófica e teológica que lhe propiciava bons argumentos numa discussão sobre espiritismo. Ele argumentava que essa doutrina era obra do demônio e não possuía consistência teológica.
Sinhô Mariano, ao contrário, possuía pouca cultura, não lhe restando argumentos consistentes para discutir com o sobrinho. Assim, provavelmente inspirado pela espiritualidade, resolve dar-lhe um livro espírita para ler, o livro Depois da Morte escrito por Léon Denis.
Eurípedes passa a noite toda “devorando” o livro. Ao amanhecer já tinha mudado a sua impressão sobre o espiritismo.
Esse é o ponto para a reflexão. Que emoção! Que descoberta! Que renascimento se deu a partir desse dia! Que momento luminoso esse!
O que essa obra deve ter despertado no coração, ou melhor, no Espírito desse homem? Assim como Saulo de Tarso, a luz revelou a verdade e a libertação se fez. E quando isso acontece, ninguém consegue ser mais o mesmo. Assim foi com Eurípedes Barsanulfo e também com muitos espíritas quando atenderam ao chamado.
Ao longo da semana seu tio lhe apresenta outras obras e periódicos e assim, aos poucos, Eurípedes vai se envolvendo cada vez mais com o Espiritismo.
No ano seguinte na companhia de um amigo Eurípedes vai assistir a algumas  sessões espíritas na fazenda de Santa Maria, reforçando ainda mais sua adesão ao espiritismo.
Não tinha mais dúvidas. Diante dos fatos, assume-se como espírita, rompe com seu trabalho na comunidade católica, entrega a presidência da Sociedade S. Vicente de Paulo, desligando-se dela definitivamente.
Começa então a enfrentar as críticas das pessoas, muitas delas mordazes. Diziam na cidade que o professor tinha ficado louco. Enfrentou resistência nas ruas, no trabalho, na família e na igreja.
Os professores do colégio que dirigia abandonaram suas funções, o proprietário pediu o imóvel, todos estavam contra ele.
Mesmo assim como espírita convicto, não esmoreceu. Fundou o Centro Espírita “Esperança e Caridade” em 1905 para que se realizassem estudos sobre espiritismo e serviços aos doentes através da homeopatia, com receituário mediúnico.
Questionado sobre o fato de o espiritismo ser religião argumentava que sim, era uma religião sem dogmas, sem hierarquias, sendo possível identificar seu aspecto religioso. Segundo Eurípedes “a religião é a faculdade ou o sentimento que nos leva a crer na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal. O Espiritismo proclama a existência de Deus e reconhece o infinito das Suas perfeições”.
Barsanulfo reabre o colégio em sua própria casa e coloca o nome de Colégio Allan Kardec. O colégio existe até hoje.
O que aprendemos com Eurípedes Barsanulfo?
Dentre outras coisas pode-se aprender que ser espírita é muito mais do que ler, estudar e frequentar um centro Espírita. Ser Espírita é, em primeiro lugar, não ter receio de se dizer Espírita, adepto da Doutrina Espírita, mesmo sabendo que os narizes serão torcidos e que os comentários serão os mais desairosos.
Ser Espírita é divulgar o Espiritismo mais em atos do que em discursos e palavras. É teoria e prática ao mesmo tempo. Estuda-se o Espiritismo, o Evangelho de Jesus e sai a campo praticando a Caridade.
Aprender com aqueles que vêm antes e realizam a terraplenagem no solo árido que encontram para que hoje, cada um que se diz Espírita possa plantar a semente dessa Doutrina Consoladora e Esclarecedora, regá-la diariamente para colher os frutos quando se tiver crescido o suficiente para alcançá-los.
Isso é possível, isso é o esperado, isso compete a cada um. Deus abençoe e ampare a todos nessa tomada de decisão.
Gratidão a Eurípedes Barsanulfo por ter vindo, exemplificado e ainda continuar com todos os Espíritas na luta pelo bem, pela caridade, pela paz e pelo amor.
Salve Eurípedes hoje e sempre.
REFERÊNCIA                                           
BIGHETO, A. Cesar Eurípedes Barsanulfo, um educador de vanguarda na Primeira República. Bragança Paulista, SP: Ed. Comenius, 2006.

domingo, 21 de abril de 2019

25 ANOS DE FRATERNIDADE E AMOR DO NEFA

No dia 25 de março de 2019 reuniram-se na sede do Núcleo Espírita Fraternidade e Amor (NEFA) os trabalhadores, frequentadores e fundadores da Casa para comemorarem o jubileu de prata, ou seja, os 25 anos de existência dessa instituição.
Há 25 anos um grupo de trabalhadores de outra Casa Espírita da cidade sentiu a necessidade de se abrir mais uma instituição espírita, oportunizando mais trabalhos de serviço ao próximo em outro bairro.
Com as dificuldades de sempre, mas com a disposição e o apoio da espiritualidade, muita garra e dedicação, alugaram uma casa de início e, com a vinda de mais trabalhadores e com eventos beneficentes o centro foi se capitalizando para conseguir, alguns anos depois, comprar um terreno e construir sua sede própria.
Hoje a Casa mantém trabalhos diários com estudos, palestras, evangelização infantil e juvenil, fluidoterapia, atendimento fraterno, grupos mediúnicos, além da assistência e promoção social.
A cada ano, a alegria de se manter as portas abertas para se prestar serviços às centenas tanto no plano material quanto no espiritual, ilumina os corações dos dirigentes e mantenedores da Casa.
Procurando fazer jus ao nome a Instituição preza pela fraternidade, recebendo a todos como irmãos e companheiros de ideal exercitando-se no amor, baseado no Evangelho de Jesus e pautado nos ensinamentos da Doutrina dos Espíritos.
Foi uma noite festiva com um musical elaborado e apresentado pela Mocidade Espírita Fonte Viva contando a história da fundação e no final foi prestada a justa homenagem a alguns fundadores presentes.

Carlos Gomes presidente atual e Antônia Veira, uma das fundadoras

Apresentação do Musical

Parabéns para o NEFA

Homenagem aos fundadores 

Alguns trabalhadores da Casa

Público presente tendo à frente os fundadores
De acordo com Herculano Pires “o Centro Espírita é, sobretudo, um centro de serviços ao próximo, no plano propriamente humano e no plano espiritual. O ensino evangélico puro, as preces e os passes e o trabalho de doutrinação representam um esforço permanente de esclarecimento e orientação de espíritos sofredores e de suas vítimas humanas, que geralmente são comparsas necessitados da mesma assistência”.
Que venham os próximos 25 e mais Casas Espíritas.

ESTÊVÃO

A história de Estêvão no Evangelho começa com um diálogo entre os discípulos de Jesus que continuaram seu trabalho atendendo aos mais necess...