sábado, 16 de junho de 2018

RECADO AOS MÉDIUNS



Para Emmanuel, aquele (a) que escolheu ser médium deve se lembrar que essa tarefa exige renúncia, abnegação e sacrifícios espontâneos. “Faz-se mister que todos os Espíritos, vindos ao planeta com a incumbência de operar nos labores mediúnicos, compreendam a extensão dos seus sagrados deveres para a obtenção do êxito no seu elevado e nobilitante trabalho”. (Xavier/Emmanuel, 2013, p.75)
Ele chega a dizer que ser médium é um “santo sacerdócio”, pela grandeza da sua responsabilidade e faz menção à passagem evangélica: “a quem muito foi dado, muito será pedido”. (Lc 12:48).
É obrigação do médium cumprir com severidade e nobreza a sua obrigação, com consciência serena. Renunciando à própria personalidade, aos desejos e aspirações de ordem material, para atingir a sua felicidade.
O médium tem por dever espalhar no mundo a certeza da imortalidade, mesmo que para isso tenha que superar pedras e acúleos do caminho, ciente que encontrará sempre nos recantos do seu mundo interior os tesouros do auxilio divino. Ninguém está sozinho nessa nobre tarefa.
Emmanuel não esconde a realidade quando diz que a Terra ainda se encontra em situação de sombra e de lágrimas e que, quando se quer fazer luz através da difusão da verdade, encontra-se resistência, e a reação das trevas chega a ser cruel. Por isso ele orienta ao médium a prática constante da oração e vigilância porque será mais assediado e tentado, caindo, muitas vezes, em ciladas e tramas nem sempre fáceis de solucionar.
Outro alerta que o mentor de Chico Xavier faz questão de enfatizar é que o médium não é um missionário na acepção comum do termo. Muitas vezes é uma alma que fracassou desastradamente, que contrariou o curso das Leis Divinas, e que resgata, sob o peso desse novo compromisso um passado obscuro e delituoso.
É a oportunidade pedida para reorganizar, com sacrifícios, tudo quanto foi esfacelado em arbitrariedades pretéritas, quando houve abuso do poder, da autoridade, da fortuna e até mesmo, da inteligência. Agora é a hora de se pensar no outro, tanto encarnado, quanto desencarnado.
Ciente disso, cabe a cada médium reconhecer que todo padecimento e provação faz parte da oportunidade que a Providencia lhe ofereceu para restabelecer sua saúde espiritual, combalida nos excessos de vidas mal orientadas, “nas quais se embriagaram à saciedade com os vinhos sinistros do vício e do despotismo”. (Emmanuel, p.77).
Todo médium é um trabalhador de Jesus e, diante disso, deve alicerçar-se nos seus ensinamentos através do Evangelho. Assim, a eficácia de um trabalho mediúnico vai depender do desprendimento do médium e da sua caridade e de não se esquecer da orientação do Mestre: “Dai de graça o que de graça recebeste”. (Mt 10:8)
O comportamento do médium em sua vida social também deve ser observado. Recomenda-se evitar ambientes nocivos e viciosos e ainda procurar melhorar o seu meio ambiente com um exemplo de verdadeira assimilação da Doutrina que professa.
Todos devem entender que mediunidade não é dom, no sentido de graça ou privilégio de alguns, mas sim oportunidade bendita de reparar faltas pretéritas e auxiliar um sofredor, enquanto se aprende com ele, com seus erros, com seus sofrimentos e com a sua mensagem.
Quando for submetido a um teste a partir de uma mistificação, não se impressionar. Conscientizar-se que, com a fé, com a pureza das intenções, com sentimento evangélico, pode-se vencer essas arremetidas dos que se comprazem nas trevas da ignorância.
É grande a tentação para o médium escolher a porta larga, conforme as palavras de Emmanuel, porém, o médium deve ponderar sobre suas obrigações sagradas. Mesmo em provação, é preciso vencer e ser resistente dessa vez, para não “soterrar a sua alma na escuridão dos séculos de dor expiatória”.
Para Divaldo Franco (2010) a mediunidade é uma faculdade abençoada por Deus. Paulo a chamou de carisma ou dom (1Co 12) e Allan Kardec preferiu cunhar essa faculdade orgânica com o nome de mediunidade.
“No dia em que todos nos dedicarmos a essa viagem interior para a nossa transformação moral para melhor e nos tornarmos canais do mundo espiritual superior, estaremos construindo a sociedade justa e feliz, que se apresentará como mundo de regeneração, cujo trânsito vem acontecendo desde há alguns anos”. (FRANCO, 2010, p. 153).
Que todo médium possa agradecer sempre pela oportunidade recebida e procurar fazer o seu melhor. Todos têm muito a ganhar com isso.
REFERÊNCIA:
XAVIER, F. C. (Emmanuel) Emmanuel. 28. ed. Brasília, DF:FEB, 2013.
SAEGUSA, Cláudia (org.) Divaldo Franco Responde. Vol. 1 São Paulo: Intelítera, 2010.
BÍBLIA DE JERUSALÉM São Paulo: Paulus, 2002.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Kardec e o público



A Revista Espírita, elaborada, mantida e financiada por Allan Kardec, com seus próprios recursos, a partir de 1858, era uma forma de o codificador estar em contato com o público que tomava conhecimento da Doutrina Espírita, a partir de O Livro dos Espíritos, publicado um ano antes.
Nessa revista ele publicava algumas cartas recebidas de diversos lugares do mundo com depoimentos de fenômenos que viriam a corroborar os preceitos doutrinários do Espiritismo.
Em uma dessas correspondências ele recebeu uma importante consideração de pessoa conhecida da Europa, transcrita a seguir:

Bruxelles, 15 de junho de 1858

Meu caro senhor Kardec
Recebi e li com a avidez vossa Revista Espírita e recomendei aos meus amigos, não a simples leitura, mas o estudo aprofundado de vosso O Livro dos Espíritos. Muito lamento por minhas preocupações físicas não me deixarem tempo para os estudos metafísicos; mas eu as empurrei bastante longe por sentir o quanto estás perto da verdade absoluta, sobretudo quando vejo a coincidência perfeita que existe entre as respostas que me foram dadas e as vossas. Mesmo aqueles que vos atribuem pessoalmente a redação dos vossos escritos, estão estupefatos com a profundidade e a lógica que neles encontram. Teríeis vos elevado, de repente, ao nível de Sócrates e de Platão pela moral e a filosofia estética; quanto a mim, que conheço o fenômeno e vossa lealdade, não duvido da exatidão das explicações que vos são dadas, e abjuro todas as ideias que publiquei a esse respeito, quando não acreditava nisso ver, com o senhor Babinet, senão fenômenos físicos, ou charlatanice indigna da atenção dos sábios.
Não vos desencorajeis, tanto quanto eu, com a indiferença de vossos contemporâneos; o que está escrito, está escrito; o que foi semeado germinará. A ideia de que a vida não é senão uma purificação de almas, uma prova e uma expiação é grande, consoladora, progressista e natural. Aqueles que a ela se ligam são felizes em todas as posições; em lugar de se lamentarem pelos males físicos e morais que os oprimem, devem com eles se alegrarem, ou ao menos os suportar com uma resignação cristã.
Para ser feliz, fuja do prazer:
Do filósofo é a divisa; o esforço que se faz para o agarrar, custa mais do que a mercadoria; mas ele vem a todos nós cedo ou tarde, sob a forma de uma surpresa; é um terno, no jogo do acaso, que vale dez mil vezes a aposta.
Conto logo atravessar Paris, onde tenho tantos amigos para ver e tantas coisas a fazer, mas deixarei tudo para tentar ir vos apertar a mão. 
Jobard (Diretor do Museu Real da Indústria).

E Kardec comenta logo abaixo:
“Uma adesão tão limpa e tão franca, da parte de um homem do valor do senhor Jobard é, sem contradita, uma preciosa conquista à qual aplaudirão todos os partidários da Doutrina Espírita; todavia, na nossa opinião, aderir é pouca coisa; mas reconhecer, abertamente, que se enganou, abjurar ideias anteriores que se publicaram, e isso sem pressão e sem interesse, unicamente porque a verdade abriu caminho, está aí o que se pode chamara verdadeira coragem de sua opinião, sobretudo quando se tem um nome popular. Agir assim é próprio dos grandes caracteres, os únicos que sabem se colocar acima dos preconceitos.
Os elogios contidos na carta do senhor Jobard nos teriam impedido de a publicar se fossem dirigidos a nós pessoalmente; mas, como ele reconhece em nosso trabalho a obra dos Espíritos dos quais não fomos senão muito modesto intérprete, todo mérito lhes pertence e nossa modéstia nada tem a sofrer com uma comparação que não prova senão uma coisa: que esse livro não pode ter sido ditado senão por Espíritos de uma ordem superior”.

No mês em que o advento do Espiritismo completa 161 anos de existência, é importante essa reflexão, tanto do leitor das obras kardequianas, quanto a do próprio A. Kardec.
Como disse o codificador, não basta aderir ao Espiritismo, mas reconhecer a verdade que nele se encerra e deixar ideias, conceitos e preconceitos para trás.
Ao escolher o Espiritismo como religião, como filosofia de vida e como a sua verdade deve, o Espírita, esvaziar-se de ideias trazidas até aqui e deixar-se lavar em água cristalina, preenchendo-se todo, no estudo, na apreensão do novo e na mudança de conduta que o Espiritismo proporciona para contribuir com a transformação social que se faz premente.
Viva Kardec! Em forma de respeito e consideração, através do estudo de seu legado. 
Viva o Espiritismo! Na vivência de seus postulados de cada dia.











domingo, 18 de março de 2018

EMEC VI


Pelo sexto ano seguido as Mocidades Espíritas pertencentes ao 23º CRE – região sul, organizaram o seu Encontro de Mocidades Espíritas no Carnaval (EMEC).



Numa forma interativa entre alguns Centros Espíritas, via mocidade, têm-se  oportunizado todos os anos, no período do carnaval, uma atividade com os jovens, que ficam reunidos nas dependências da creche pertencente ao Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Alexandre, em Pouso Alegre, nos 4 dias do feriado.
Neste ano de 2018 o tema foi:  “Por que eu?”
Num primeiro momento, tudo parecia desencaixado... as ideias estavam prontas mas faltava algo... E sem esquecer das intuições junto à espiritualidade atuante nesse encontro de almas, percebeu-se o abraço iluminativo da equipe espiritual sempre presente. Daí em diante, os momentos surgiram magicamente e então, pode-se entender intimamente: “Por que eu?”...
Por que estar num encontro de jovens espíritas no carnaval, quando poderia se estar nas ruas, nas festas, se divertindo? Por que optar por falar de Jesus, por que escolher o EMEC? Por que renascer nesse orbe de tantas misérias e perturbações? Por que estar nesse contexto atual, família, sociedade? Por que eu?




Reflexões que invadiram os quatro dias fazendo em todos os momentos com que os jovens respondessem seus questionamentos mais íntimos e ao mesmo tempo explodissem suas emoções em sorrisos, lágrimas, abraços, emoções... Características comuns que vêm se repetindo nesses encontros.




E na conclusão do trabalho formou-se um grande círculo humano onde crianças, jovens, adolescentes, coordenadores, falavam a mesma língua, trocavam as mesmas emoções e impressões, deixavam de lado a timidez, e sem medo de se expor falaram de um amor compartilhado, de uma amizade conquistada pouco a pouco.
Foi um encontro que reuniu 40 pessoas, e possibilitou uma explosão de sentimentos, que a cada ano vem se ampliando junto aos participantes.  
Foi trabalhado um tema introspectivo para levar o jovem a uma reflexão íntima de quem é, onde está, por que está nesse contexto, o que pode fazer para melhorar, resignar, entender, lutar...




O resultado concreto se faz notar nas lágrimas que denunciam emoções contidas e no sentimento de gratidão que fica em todos, com a alegria de poder realizar um evento que entrelaça irmãos e irmãs tão amados.  




O resultado é sempre surpreendente e o gostinho de “quero mais” é a certeza de, no próximo ano, ser oferecida uma nova oportunidade para o jovem nesse período.

Mais fotos podem ser vistas no seguintes endereços:  https://photos.app.goo.gl/oo84CIr21zoDLqYH2
https://youtu.be/ksa8XVP3_q0



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O QUE É O ESPIRITISMO?



Em meio a tantas “novidades” inseridas no Movimento Espírita em relação à doutrina codificada por Allan Kardec a partir da metade do século XIX, faz-se mister voltar às origens e perguntar a quem é de direito o que se entende por espiritismo.
Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, na introdução de O Livro dos Espíritos, o livro que dá início a uma série de outros que consubstanciam essa doutrina, diz que:
“A Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível”. (KARDEC, 2017)
Kardec destaca também que a Doutrina Espírita, por trazer uma ordem de coisas novas e grandes, deve ser estudada por homens sérios, perseverantes e livres de prevenções com sincera vontade de se chegar a um resultado de pesquisa. Estudo esse que exige continuidade, regularidade e seriedade, pois trata-se de uma ciência.
Ele enfatiza ainda que a doutrina dos Espíritos não é uma concepção humana, porque foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestaram e trouxeram um pensamento que, em seu conjunto, apresenta uma nova forma de se perceber a vida, aqui e no além. “A verdadeira Doutrina Espírita está no ensino que os Espíritos deram”. (KARDEC, 2017, p.51).
O Espiritismo vem levantar o véu da matéria para que se possa ver o transcendental de forma lógica e fora de dogmas religiosos inquestionáveis. O Livro dos Espíritos, por exemplo, traz as explicações necessárias nesse sentido, provocando novos e permanentes estudos. Trata-se de um guia para aqueles que desejam esclarecer-se, encontrando um fim grande e sublime do progresso individual e social.
Kardec também apresenta o Espiritismo como o maior antagonista do materialismo e alerta que é por meio do Espiritismo que a humanidade deve entrar numa nova fase, a do progresso moral que lhe é consequência inevitável.
Sendo assim, ele entende que o Espiritismo tem como consequência tornar o homem melhor e mais feliz pela prática da mais pura moral evangélica. Com essa assertiva o autor fundamenta o alicerce desta doutrina nas bases da religião, apoiando sua confiança em Deus e convidando os homens à fraternidade, à felicidade e à esperança, por meio de explicações racionais.
Kardec elucida que a força do Espiritismo não vem da prática das manifestações mediúnicas e sim da sua filosofia, na razão e no bom senso.
O Espiritismo como ciência reúne um corpo de doutrina, com explicações lógicas e termos próprios. Tem como consequência geral desenvolver o sentimento religioso, porque a vida terrena já não terá tanto valor quando o indivíduo perscrutar as explicações lógicas do mundo invisível, ou espiritual.  O Espiritismo possibilita ao homem conquistar mais coragem perante as aflições e mais moderação quanto aos desejos terrenos.
A moral do Espiritismo está de acordo com a moral de Jesus. Os Espíritos com suas vozes por todo o mundo vieram não somente confirmá-la, mas, principalmente, explicar a sua utilidade prática.
O codificador faz questão de ressaltar que os homens se coligarão pela força mesma das coisas e hão de se unir num pensamento comum: o amor de Deus e a prática do bem. Kardec enfatiza que o escopo principal da Doutrina Espírita reside no aperfeiçoamento moral do ser humano.
De uma maneira geral, em suas explicações e conclusões é possível perceber em Kardec a importância que ele apresenta à questão moral do espiritismo, quanto ao aspecto religioso, à questão lógica e racional, enquanto ciência do espírito e uma proposta filosófica de vida digna, fraterna e com vistas à evolução humana.
Não sendo um aspecto da Doutrina mais importante do que o outro, tudo o que que for proposto em nome do espiritismo deve abordar essas três vertentes: o científico, o filosófico e o religioso. Separá-los significa fragmentar um ensinamento amplo e completo e enfraquecê-lo em seus pilares, fazendo ruir não somente esse edifício planejado pela espiritualidade, como também desestruturar o Movimento Espírita, ainda não consolidado.
Na introdução da primeira Revista Espírita (1858/2003) o Espiritismo é apresentado como “uma ciência que descobre todo um mundo de mistérios, que torna patentes verdades eternas (...). É uma doutrina sublime que mostra ao homem o caminho do dever, e que abre o campo, o mais vasto, que jamais fora dado à observação do filósofo”. Não se trata, contudo, segundo Kardec, de uma ciência exata, mas sim de uma ciência filosófica.
Quanto à revelação trazida pelos Espíritos sobre o mundo espiritual através dos médiuns, Kardec (2013) reforça em A Gênese que essa se deu parcialmente, em diversos lugares e por muitos intermediários, cabendo a cada centro encontrar nos seus pares o complemento de suas informações. Sendo assim a Doutrina Espírita foi se formando pelo conjunto de todos esses ensinos parciais.
Sob a sua coordenação, Kardec pode organizar todas as informações obtidas com o objetivo de integrá-las e estabelecer uma unidade de pensamentos, apesar das diversidades das fontes. As ideias contrárias foram se dissipando, pouco a pouco, em consequência do isolamento e do esquecimento.
Kardec em nota de rodapé nesse mesmo livro avisou que alguns grupos espíritas foram formados com a intensão de provocar a cisão, apresentando princípios divergentes da Doutrina, ou por questão de amor-próprio, para não se submeterem à lei comum, pretendendo caminhar sozinhos. Esses se extinguiram ou vegetaram nas sombras.
Em seu entender, faltou a esses grupos pautarem-se na força dos elementos morais da Doutrina Espírita, que constituem a sua unidade e, ao mesmo tempo, é a defesa contra as ilusões quiméricas que têm atraído, ainda hoje, século XXI, grupos que se denominam espíritas, mas com propostas divergentes das originais.
O codificador do Espiritismo adverte que “a moral que os Espíritos ensinam é a do Cristo, em virtude de não haver outra melhor”. (Kardec, 2013, p.40).
À moral do Cristo o Espiritismo acrescenta o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os mortos e os vivos, a compreensão da solidariedade que religa todos os seres. Antes o que era feito por dever, passa a ser feito por convicção, querendo praticar essa moral.
Allan Kardec como espírito visionário que era, chegou a alertar que o princípio da concordância das mensagens dos Espíritos é uma garantia contra as alterações que porventura algum grupo queira fazer, em proveito próprio, inserindo seitas e acomodando-o à sua maneira. Caso isso aconteça pode-se até provocar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, quer seja no presente, ou no futuro.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito Erasto se comunica em Paris, em 1862 e exorta os Espíritas a pregarem o Evangelho de Jesus. Pregar o desinteresse, a mansidão, a abstinência. Pede para que os bons Espíritas aniquilem o culto ao bezerro de ouro, que vem se expandindo, e hoje, infelizmente, esse “brilho” terreno tem iludido muitos irmãos e irmãs de caminhada.
Esse mesmo Espírito adverte quanto à possibilidade de se extraviar no caminho. Para não se correr esse risco, apresenta o verdadeiro espírita com sendo aquele que ensina e pratica os princípios da caridade, que distribui consolações aos aflitos, com amor. Aquele que realmente se dedica ao próximo, com abnegação e altruísmo. Aquele que não falseia o espírito da lei divina, para satisfazer sua vaidade e ambição.
Para Herculano Pires (2017) a Doutrina Espírita precisa ser compreendida como um chamado viril à dignidade humana, à consciência do homem para deveres e compromissos no plano social e no plano espiritual, conjugados com a exigência da lei superior da evolução humana.
Os grupos que se formaram após Kardec sofreram influência, ou no aspecto religioso, deixando penetrar comportamentos atávicos de outras religiões ou por um cientificismo pretensioso, com o objetivo de sobrepor-se às pesquisas kardequianas. Grupos assim só servem para fragmentar e desestruturar o Movimento Espírita, onde quer que ele aconteça, perdendo sua característica tripla de ciência, filosofia e religião.
Segundo Pires (2017) essas novidades que surgem são decorrentes de discordâncias interpretativas, marcadas por preconceitos e por precipitações. Características da leviandade do espírito humano, mais apegado à forma do que ao fundo.
Urge, nos dias de hoje, a formação de grupos de estudo sobre as obras deixadas por Allan Kardec para se compreender o espiritismo em sua base, de acordo com que os Espíritos ditaram e de onde se originou um corpo de Doutrina, um ensinamento a todos os homens encarnados e desencarnados.
A teoria já está pronta cabendo aos herdeiros de Kardec, estudá-la e, principalmente, praticá-la, oferecendo ao mundo a transformação social, anunciada a Kardec pela equipe espiritual.
REFERÊNCIA
KARDEC, A. Revista Espírita – ano 1858. Trad. Salvador Gentile. São Paulo: Mundo Maior, 2003.
___________ A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo Trad. Evandro N. Bezerra Brasília: FEB, 2013
___________ O Evangelho segundo o Espiritismo trad. J. Herculano Pires. 73. ed. São Paulo: LAKE, 2014.
___________ O Livro dos Espíritos. Trad. J. Herculano Pires. 82. Ed. São Paulo: LAKE, 2017.
Pires, J. H. O Centro Espírita. 5. ed. São Paulo: PAIDEIA, 2017




terça-feira, 14 de novembro de 2017

VI SEMINÁRIO SUL MINEIRO DE CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

O Centro Espírita Allan Kardec realizou no dia 11 de novembro de 2017 seu 6º Seminário Sul Mineiro de Ciência e Espiritualidade na Faculdade de Medicina de Itajubá.
Pela sexta vez o CEAK traz para a cidade mais uma discussão entre acadêmicos e espiritualistas. Doutores que realizam pesquisas acadêmicas envolvendo a espiritualidade vêm apresentando seu trabalho em nossa cidade, através desses seminários.
Dessa vez estiveram presentes o Dr. Francisco Di Biase, neurocirurgião e pesquisador da consciência e o Dr. Alexandre Serafim, neuropediatra, presidente da Associação Médica Espírita do Vale do Paraíba (AME-Vale-SP).
O Dr. Di Biase apresentou o tema: Física Quântica e Espiritualidade e o Dr. Serafim falou sobre “Saúde Física e Saúde Espiritual, novos conceitos”.
O público presente participou com perguntas que geraram discussões esclarecedoras, principalmente por se tratar de um tema bastante complexo e atual.  
Discussões como essas, promovidas por um Centro Espírita só vêm confirmar a riqueza da Ciência Espírita que, usando outros nomes, acaba abordando assuntos similares.
Estudo, Dedicação, Persistência e Debates em nível intelectual  e bem fundamentados contribuem com a evolução do Espírito e a reunião entre Espíritas e simpatizantes de diversos Centros auxiliam a fortalecer os laços que unem essa grande família Espírita.

 
Cartaz do Evento

Recepção e Credenciamento

Apresentação do Evento - Júlio C. Santana (CEAK)

Prece de Abertura - Carlos Gomes (NEFA- CRE)



Dr. Francisco Di Biase


Dr. Alexandre Serafim


Dr. Alexandre com Ana Paula Cunha (CEAK) e Norimar Gisele (CEFEC)






quinta-feira, 19 de outubro de 2017

PENSAMENTO E ESPIRITUALIDADE

  
O mundo espiritual vela sempre. Nele há uma constante formação de ideias, que, depois de elaboradas, são transmitidas ao homem em forma de pensamentos. É a majestosa oficina do progresso, onde se formam os grandes planos para o desenvolvimento das faculdades naturais do homem, que vivem no seu cérebro, pois, é o receptor da ideia elaborada no seio do Infinito. Não é demais, portanto, encarecer-vos a importância de conservá-lo em condições de poder atrair e assimilar o germe do pensamento.

Cuidai, meus amigos, da higiene do vosso cérebro. Entretei uma disciplina severa dentro dos limites da razão, no intuito de sanear a vossa mente, expurgando dela toda impureza, todo empecilho à atração das ideias que concorrem para o desenvolvimento intelectual e moral do vosso espírito.
Quem entretém o seu tempo com leituras malsãs ou com a prática de conversações frívolas e por vezes licenciosas, que corrompem o caráter, rebaixando-lhe o nível moral, não pode ter sua máquina cerebral em condições de receber a centelha divina, portadora da ideia evolutiva.
Velai, pois, meus amigos, cuidadosamente sobre vossos pensamentos, inclinações e desejos, a fim de que, livres das perniciosas tentações do vício, possais crescer em sabedoria, verdade e amor. Deus vos ajude e abençoe.
Livro Tudo por Cristo – Adelaide Augusta Câmara (Aura Celeste)



Comunicações publicadas de 1921 a 1946

terça-feira, 3 de outubro de 2017

11o ENCONTRO DE MOCIDADES EM ITAJUBÁ

A Mocidade Espírita Fonte Viva, do Núcleo Espírita Fraternidade e Amor, juntamente com representantes de outras Casas, realizou o 11º Encontro de Mocidades Espíritas em Itajubá.
O evento aconteceu nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2017, nas dependências da Escola Estadual Antônio Rodrigues de Oliveira (Polivalente) e envolveu mais de sessenta jovens, a partir de 13 anos de idade vindos de várias cidades: Itajubá, Pouso Alegre, Santa Rita do Sapucaí, Carmo de Minas, Extrema, Pindamonhangaba (SP), Tremembé (SP), São Paulo (capital) e Rio de Janeiro, além, é claro, de mais de uma dezena de voluntários para o apoio logístico.




O tema desse ano foi “ O Big-Bang e as Forças Ocultas”. O objetivo foi trabalhar o tríplice aspecto da Doutrina Espírita envolvendo as Forças do Universo: energias, harmonia, vibrações, tempo, morte, amor.


Foi possível discutir com os (as) jovens que todos “somos energia”, que todos precisam caminhar e se movimentar em união e sintonia para o bem do universo. Conscientizar-se de que a evolução de todos está associada intimamente a essa harmonia.
O encontro envolveu muita música, doutrina Espírita, alegria, harmonia, comprometimento e amizade. Esses ingredientes são indispensáveis e estão presentes em todos os encontros, garantindo assim o seu sucesso.


Eventos como esse possibilitam ao jovem um encontro saudável, alegre, leve, em um clima de muita amizade, sem nenhuma intenção que não a de criar laços e reforçar amizades já formadas. Sentir essa energia é entender que isso é a vida, em sua beleza, singeleza e transparência, sem subterfúgios, químicas e atitudes destrutivas.
A Juventude Espírita precisa mostrar seu diferencial na sociedade, tornar-se um adulto consciente de seus deveres e obrigações, mas também garantir seu direito à alegria, sorriso, amizade e felicidade.
Que aqueles que não puderam participar sintam a energia através das fotos e se programem para o EMEI 12.




















VEM AÍ O EMEC - encontro de mocidades Espíritas no período do carnaval - PARTICIPEM!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

ESPIRITISMO 160 ANOS



Uma campanha para sempre, um aprendizado eterno.
#espiritismo160anos.

IV CONICE

A Aliança Municipal Espírita (AME) de Itajubá, juntamente com a AME de Santa Rita do Sapucaí, com o apoio do 23º CRE (Conselho Regional Espírita) realizaram no último dia 05 de agosto o IV CONICE – Congresso de Iniciação Científica Espírita.
Esse Congresso tem por objetivo incentivar os Espíritas a se tornarem pesquisadores dos assuntos relacionados ao espiritismo.
Nesse IV CONICE foram apresentados seis artigos, numa forma de união entre as Casas Espíritas em torno de uma causa. Estiveram presentes, também vários representantes de diferentes Centros Espíritas.
O evento realizou-se nas dependências do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade (CEFEC) situado à Rua Américo de Oliveira, 45 – Centro em Itajubá.
Os assuntos pesquisados e apresentados foram:

REENCARNAÇÃO – VISÃO ESPÍRITA, TIPOS, FINALIDADES E PROCESSOS – Edson Palhares (Centro Espírita Allan Kardec – Itajubá);

TRILHA TERÁPICA MAGNETO-MENTO-CONSCIENCIAL – Maurício Ferreira (CEI – Comunhão Espírita de Itajubá Casa do Caminho);

IDENTIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES ESPÍRITAS DESENVOLVIDAS POR PESSOAS DA 3ª IDADE NAS CASAS ESPÍRITAS – Vladas Urbanavicius Jr e Ivani Salomão (Lar Espírita Mãos de Amor – Santa Rita do Sapucaí);

UMA ANÁLISE INTRODUTÓRIA SOBRE A COERÊNCIA DOUTRINÁRIA DA OBRA DE ANDRÉ LUIZ: “A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL”. Edmilson Marmo Moreira (Núcleo Espírita Fraternidade e Amor – Itajubá) e Leonardo M. Moreira (Centro Espírita Caminho da Paz – S. João Del Rei e Grupo Espírita Tereza de Ávila – Três Corações).

ASPECTOS DOUTRINÁRIOS DO ROMANCE ESPÍRITA RENÚNCIA – Carlos Gomes (Núcleo Espírita Fraternidade e Amor, Itajubá);
ANÁLISE DA ESTRUTURA DE UMA BIBLIOTECA ITINERANTE – Vladas Urbanavicius Jr (Lar Espírita Mãos de Amor – Santa Rita do Sapucaí).
O evento reunião mais de sessenta pessoas, que fazem parte de diferentes Centros Espíritas da cidade e região: Centro Espírita Allan Kardec (Itajubá), Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade (Itajubá), Núcleo Espírita Fraternidade e Amor (Itajubá), CEI – Comunhão Espírita Itajubense – Casa Caminho da Luz (Itajubá), Lar Espírita Mãos de Amor (Santa Rita do Sapucaí), Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense (Santa Rita do Sapucaí), Centro Espírita Casa do Caminho (Santa Rita do Sapucaí), Núcleo Espírita Humberto de Campos (Pedralva).
Eventos como esse vem comprovar que se pode trabalhar juntos em prol da Doutrina Espírita, com espontaneidade, afetividade, amizade e muito aprendizado. Isso é AME, isso é CRE, isso é Movimento Espírita.

Abertura do Evento pelo presidente do CRE Vladas Jr e os presidentes do CEFEC (Odair Pereira Manuel Jr, à esquerda) e do NEFA (Carlos Gomes).






terça-feira, 16 de maio de 2017

PREPARAÇÃO PARA O IV CONICE em Itajubá


Dia 12/05/2017 reuniram-se no Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade (CEFEC) representantes de vários Centros Espíritas para que, juntos, pudessem se inteirar do IV CONICE a ser realizado dia 05/08/2017 nesse centro. O CONICE é uma realização do LEMA (Lar Espírita Mãos de Amor) de Santa Rita do Sapucaí, em parceria com o NEFA (Núcleo Espírita Fraternidade e Amor) e o CEFEC. Tem o apoio da AME-Santa Rita do Sapucaí, da AME - Itajubá e do 23o CRE - Conselho Regional Espírita.
O CONICE é uma oportunidade para se apresentar pesquisas com temas espíritas, reforçando a parte científica do espiritismo.


Vladas Urbanavicius Jr (presidente do 23 CRE e presidente do LEMA) apresentando a proposta do CONICE

Edmilson Marmo Moreira (NEFA) explicando algumas alternativas de apresentação de trabalhos no CONICE


Carlos Gomes (presidente do NEFA) apresentando a forma de se elaborar um artigo científico


Edson Palhares (CEAK - Centro Espírita Allan Kardec) apresentando a palestra inicial sobre Ciência e Espiritismo



Público presente ao evento